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Reducionismo algorítmico, aplicativos e sociedade: (des)ignificando o cotidiano

  À medida que mergulhamos ainda mais na era digital, testemunhamos uma grande mudança no tecido de nossas vidas diárias. Serviços que anteriormente exigiam interação pessoal estão sendo transformados em aplicativos automatizados. A tendência é convincente: bancos digitais, cardápios de restaurantes via QR code, namoro online - todos eles prometem eficiência e conveniência. Mas, vamos parar por um momento e perguntar: o que estamos perdendo nessa automação em massa? Na confluência da tecnologia e da sociedade, encontramos uma constante tensão entre o progresso inegável e o alto preço que muitas vezes pagamos por ele. No cerne dessa intersecção, os algoritmos dos aplicativos de hoje representam uma nova fronteira de questionamento filosófico, levantando questões sobre autonomia, agência e a simplificação da sociedade. No entanto, a simplificação algorítmica permeia todos os aspectos de nossa vida cotidiana, incluindo coisas tão mundanas como o uso de QR codes para visualizar cardápios d

Digressões sobre o futuro da Internet e o Internet Archive

No final dos anos 1960 uma ideia audaciosa começou a surgir em meio à Guerra Fria: a criação de uma rede global de computadores. Esta rede, inicialmente conhecida como ARPANET e patrocinada pelo Departamento de Defesa dos EUA, pretendia conectar cientistas e pesquisadores para compartilhar informações e sobreviver a um ataque nuclear (I). Aquela pequena semente destinada a conectar mentes, floresceria em algo muito maior do que seus criadores originais poderiam imaginar. No final dos anos 1980, a Internet começou a se tornar comercialmente viável. As primeiras empresas de serviços de Internet (ISPs - Internet Service Providers ) abriram suas portas, e o primeiro ISP comercial discado nos EUA começou a operar em 1989. No entanto, ainda era uma tecnologia acessível apenas a poucos privilegiados. Foi só em 30 de abril de 1995, com a permissão do transporte de tráfego comercial na Internet, que a rede mundial se tornou acessível ao público em geral (II). Em 1991, um homem chamado Tim Bern